I
Minha integridade são minhas incessantes metamorfoses.
II
O reconhecimento surge quando sofro mutações
quando deixo para trás a rigidez
e viajo rumo à flexibilidade
enfrentando o que netuno tem de nebuloso
o inconsciente cheio de lixo e de merda
cheio do mais puro lodo e da putrefação
de onde, quem sabe, pode emergir nova forma:
uma flor de lótus com as pétalas ao vento,
comendo da terra, bebendo da água.
III
Transmigrando do carneiro
ao homem vertendo água de uma ânfora:
assim se delineia meu caminho.
Estradas barrentas me foram destinadas
(os deuses não têm pena.
odeiam-nos e amam-nos demais
para sentir algo ínfimo).
IV
Sigo buscando força e fragilidade
nos outros onze
para poder dizer, enfim, que sou um
que sou o décimo segundo,
ainda que obscura criatura.
V (da conjunção plutão/saturno)
Assim percebo que a compreensão
se origina no ventre da mudança.
Da viagem que posso fazer
desde os vermes até as árvores
das amebas até os répteis
que me conduzem aos peixes.
Estes me sussuram "salmão, nade contra as águas"
ou me pedem que me largue em meio ao cardume cego
pra acariciar Plutão e Caronte
guardiães do mundo dos mortos
que nada deixam passar:
um sopro de morte, de vida.
...
XII
Da perene estada em diferentes corpos
consigo, então, regressar
e digo a mim mesma que me compreendo,
mas a espera por um novo ciclo
perdura.
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