segunda-feira, 25 de julho de 2011

viagem astral

I
Minha integridade são minhas incessantes metamorfoses.

II
O reconhecimento surge quando sofro mutações
quando deixo para trás a rigidez
e viajo rumo à flexibilidade
enfrentando o que netuno tem de nebuloso
o inconsciente cheio de lixo e de merda
cheio do mais puro lodo e da putrefação
de onde, quem sabe, pode emergir nova forma:
uma flor de lótus com as pétalas ao vento,
comendo da terra, bebendo da água.

III
Transmigrando do carneiro
ao homem vertendo água de uma ânfora:
assim se delineia meu caminho.
Estradas barrentas me foram destinadas
(os deuses não têm pena.
odeiam-nos e amam-nos demais
para sentir algo ínfimo).

IV
Sigo buscando força e fragilidade
nos outros onze
para poder dizer, enfim, que sou um
que sou o décimo segundo,
ainda que obscura criatura.

V (da conjunção plutão/saturno)
Assim percebo que a compreensão
se origina no ventre da mudança.
Da viagem que posso fazer
desde os vermes até as árvores
das amebas até os répteis
que me conduzem aos peixes.
Estes me sussuram "salmão, nade contra as águas"
ou me pedem que me largue em meio ao cardume cego
pra acariciar Plutão e Caronte
guardiães do mundo dos mortos
que nada deixam passar:
um sopro de morte, de vida.

...

XII
Da perene estada em diferentes corpos
consigo, então, regressar
e digo a mim mesma que me compreendo,
mas a espera por um novo ciclo
perdura.

domingo, 24 de julho de 2011

achados e perdidos

e assim caminha o cotidiano:
num mar de passado e futuro
numa nuvem que estava carregada d'água
e que agora carrega sonhos
num coração que ora é paz, ora é inquietude
numa aurora e num crepúsculo (assim, ciclicamente)
numa estrada que antes apontava para o caminho
e que agora mostra apenas a procura.
neste movimento dançante de vidas, mortes, amores, tristezas
vou caminhando... buscando um pedaço que ficou para trás,
tentando vislumbrar a outra parte de mim
que parecia tão encontrada
e que agora parece tão perdida e fragmentada.
assim caminho, caminhamos e caminharemos
eu, meu passado, meu futuro, meus acertos, meus erros,
minha vontade de mim mesma,
vez em quando natimorta, vez em quando vibrando em luzes
que colorem e iluminam meu interior e minha volta.
minha volta ao meu passado, meu estado de presente,
minha busca de futuro.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

a perséfone da pauliceia

a perséfone da pauliceia parece que não para de pintar-se e apedrejar-se.
parece que pira, parece que pede a ela própria que se precise.
parece que parou de pensar, parece que persegue sua presa e seu pássaro.
parece que está na prisão, parece que está paralisada pela perturbação do poder não pensar.
a perséfone da pauliceia não precisa se precisar, não precisa que dela precisem:
mas precisa poder parar para personificar a pirotecnia de sua aparição
neste pequeno pedaço de planeta.

T-R-A-N-S

transfigure-se dentro de suas transfusões. transforme-se em meio a esse transe.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Idioleto

E vou-me revisando, me corrigindo, me sublinhando, me traduzindo.
E vão-me acontecendo algumas poucas línguas que me falam fluentemente.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A página do relâmpago elétrico

"Abre a folha do livro
Que eu lhe dou para guardar
E desata o nó dos cinco sentidos
Para se soltar

[...]

Faz o jogo e abre a folha do livro
Apresenta o ás
Pra renascer em cada pedaço que ficou
E o grande amor vai juntar
E é coisa que ninguém separa mais"

Beto Guedes & Ronaldo Bastos

quarta-feira, 15 de junho de 2011

rebento humanoclasta

não quero o totalitarismo dos cinco sentidos. quero subverter essa ditatura e abrangê-la na hegemonia da compreensão cósmica. um pentágono fechado a cadeado é equivalente a uma moldura sem quadro em uma sala cinza: não brilha como o fogo de mil sóis. é necessário mais para me sustentar em um universo composto por zilhões de partículas de poeira e vida girando incessantemente em uma espiral infinita.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

um meio para ser inteiro

desfaça seu eterno pacto com a dualidade: seja íntegro com a neutralidade.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Ressurreições

Após anos de lodo, uma flor brotou no meu ego.
Flores... Sua condição de delicadeza
Sempre as mantêm reféns da iminência do murchar.
E a graça por elas emanada talvez aí resida: na não eternidade.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

museu de novidades

"Uma mulher preocupa-se com o futuro até encontrar um marido, enquanto um homem apenas se preocupa com o futuro depois de encontrar uma mulher."
Bernard Shaw


acredito que ainda nos dias atuais o homem se preocupe em ser o provedor do lar, pois assim pretende manter sua virilidade, ou aquilo que ele reconhece como tal. a mulher preocupa-se em ter um companheiro que possa auxiliá-la quando se concretizar um de seus maiores desejos: o de ser mãe. obviamente na práxis vemos muita transformação decorrente dos direitos que o gênero feminino conquistou e diversos outros fatores, mas creio que os anseios permaneçam semelhantes. estão apenas camuflados.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Eis que em meio aos meus escritos me deparo com este:



já tenho um Fufo configurado, mas quero mudar alguns traços pra aproximá-lo da imagem mental que faço dele - em termos de personalidade. é curioso, o imagino mais abstratamente do que no referente ao físico. alguém doce, macio, delicado, - como Elba rs - que "estapeia" com luvas de pelica. serzinho que alcança seus mais secretos almejos por meio da arte dissimulativa. me encantam essas características. haha



se lembra, Phupha, antiga Fufa? <3

THE ROAD NOT TAKEN

Robert Frost

Two roads diverged in a yellow wood,

And sorry I could not travel both

And be one traveler, long I could

To where it bent in the undergrowth

Then took the other, as just as fair,

And having perhaps the better claim,

Because it was grassy and wanted wear;

Though as for that, the passing there

Had worn them really abo...




Divergir para ampliar. O que me traz uma indagação: o que é que determina o caráter epifânico e decorrentemente distinto de determinadas pessoas? Essa questão que inquieta!